Ex-secretário de Blumenau é preso em nova fase da Operação Sentinela

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O ex-secretário de Blumenau André Espezim foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (7), durante a segunda fase da Operação Sentinela, deflagrada pelo GAECO e pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Um empresário de Blumenau também foi preso preventivamente. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão em Blumenau e Florianópolis.

A investigação apura possíveis crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, obstrução de investigação, falsidade ideológica e falso testemunho. A nova fase é um desdobramento da operação iniciada em maio, que investiga um suposto esquema envolvendo contratos públicos do município.

Contrato de R$ 56 milhões

Um dos principais pontos da investigação envolve a contratação de serviços de vigilância para escolas e creches após o ataque à Creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023, quando quatro crianças foram mortas.

Segundo a investigação, o contrato emergencial de segurança ficou em cerca de R$ 9 milhões. Depois, um aditivo acrescentou aproximadamente R$ 4 milhões. No fim de 2023, uma nova licitação manteve o serviço por cerca de R$ 42 milhões.

Somados, os contratos chegaram a aproximadamente R$ 56 milhões.

O GAECO trabalha com a estimativa de que R$ 2,8 milhões, equivalentes a cerca de 5% desse valor, possam ter sido destinados ao pagamento de propina a agentes públicos. A informação faz parte da investigação e ainda será analisada no decorrer do processo.

Investigação envolve outros contratos

A apuração não se limita à segurança das escolas. Segundo as investigações, entre 2021 e 2024, a empresa Orcali recebeu aproximadamente R$ 257 milhões da Prefeitura de Blumenau por diferentes serviços.

O GAECO investiga a suspeita de direcionamento de licitações e posterior devolução de valores. Uma das hipóteses é que notas fiscais simuladas tenham sido utilizadas para retirar dinheiro e repassá-lo em espécie.

Ex-secretário já era investigado

André Espezim já havia sido alvo de buscas na primeira fase da operação. Segundo documentos da investigação, mensagens analisadas pelo GAECO indicariam possível relação entre recursos do grupo investigado e despesas de sua campanha eleitoral de 2022.

A nova fase também apura possíveis tentativas de ocultar patrimônio, disfarçar a origem de recursos e interferir na produção de provas, segundo o MPSC.

O processo tramita sob sigilo. Até o momento, os envolvidos são tratados como investigados, e os materiais apreendidos nesta quarta-feira serão analisados pelo GAECO.

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