Delegada Jucines fecha ciclo em Braço do Norte com avanços e mira novo desafio em Criciúma

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Uma mudança que não passa em branco. Depois de mais de três anos à frente da Delegacia de Polícia Civil de Braço do Norte, a delegada Jucines Ferreira encerra um ciclo deixando um recado direto: quando a polícia se aproxima das pessoas, os resultados aparecem.

Desde novembro de 2022, ela assumiu uma realidade desafiadora. Alta demanda, estrutura limitada e casos complexos faziam parte da rotina. Mesmo assim, a prioridade foi clara desde o início: aproximar a Polícia Civil da população e construir confiança.

E isso mudou o cenário.

Segundo a delegada, a principal virada foi tornar a instituição mais acessível. A criação de canais de comunicação, principalmente nas redes sociais, abriu caminho para um contato mais direto com a comunidade. Aos poucos, a população passou a procurar mais, denunciar mais e confiar mais.

Um dos pontos mais marcantes foi o trabalho com mulheres vítimas de violência.

Com atendimento mais humano e escuta atenta, muitas passaram a buscar ajuda logo nos primeiros sinais de agressão. Isso aumentou a procura por orientações, registros e medidas protetivas. Quando havia descumprimento, a resposta era rápida. A sensação de proteção começou a ganhar força.

Esse novo jeito de agir trouxe reflexos importantes. Os casos de feminicídio e tentativas tiveram redução durante o período. Para Jucines, isso não veio de uma única ação, mas de uma mudança de postura. Menos reação depois do crime e mais prevenção antes que ele aconteça.

Mas o caminho não foi simples.

A delegacia enfrentou falta de efetivo e problemas estruturais sérios. O prédio atual não acompanha a complexidade do trabalho. Faltam espaços adequados para atender mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade, o que ainda é um desafio urgente na região.

Projetos chegaram a ser planejados, com apoio do então prefeito Beto Kuerten Marcelino, mas não foram executados até o fim da gestão. O mesmo ocorreu com compromissos assumidos pelo governador Jorginho Mello, que não se concretizaram nesse período.

Além disso, a região convive com a atuação de facções como Primeiro Grupo Catarinense e Comando Vermelho, ligadas ao tráfico de drogas e crimes violentos. Somado a isso, há grande volume de furtos, roubos e estelionatos, o que aumenta ainda mais a pressão sobre a equipe.

Para enfrentar tudo isso, a estratégia foi olhar para dentro.

A delegada apostou na valorização dos policiais. Organização das demandas, divisão mais justa do trabalho e atenção ao bem-estar ajudaram a manter a equipe unida e produtiva, mesmo diante das dificuldades.

Ela define a passagem por Braço do Norte como uma verdadeira escola. Um período que exigiu técnica, equilíbrio emocional e muita resistência. Foi ali que consolidou sua forma de atuar e liderar.

Ao falar da equipe, o reconhecimento é direto. Segundo ela, nada teria sido possível sem o comprometimento dos profissionais que estiveram ao lado dela durante esse tempo.

Outro ponto forte foi a parceria com a comunidade.

A aproximação com moradores, o uso das redes sociais, o apoio da imprensa e a integração com órgãos como CRAS, CREAS, Conselho Tutelar, Ministério Público e forças de segurança criaram uma rede de confiança. As denúncias aumentaram e a participação da população passou a fazer diferença nas investigações.

Agora, um novo desafio começa.

Jucines assume uma função em Criciúma, uma cidade maior, com cerca de 230 mil habitantes e um cenário ainda mais complexo. Ela já conhece a região e chega com experiência reforçada após o trabalho em Braço do Norte.

Mais do que uma mudança de endereço, é a continuidade de um propósito. Seguir trabalhando por segurança, justiça e proteção para quem precisa.

Braço do Norte fica com os resultados. Criciúma recebe uma delegada pronta para o próximo capítulo.

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