A presença feminina em diferentes áreas profissionais tem crescido e transformado espaços que por muito tempo foram ocupados majoritariamente por homens. Na segurança pública, esse avanço também é visível, com mulheres assumindo posições de comando e se tornando referência na área.
Um exemplo é a delegada Carolini de Bona Portão, atual diretora de Polícia da região Sul de Santa Catarina. Com 27 anos de atuação na segurança pública, ela coordena as Delegacias Regionais de Laguna, Tubarão, Araranguá e Criciúma, exercendo um dos cargos de maior responsabilidade dentro da Polícia Civil de Santa Catarina.
Início da trajetória
A carreira na segurança pública começou cedo. Aos 18 anos, Carolini ingressou como agente penitenciária, função que exerceu por seis anos. Aos 25, foi aprovada no concurso para delegada da Polícia Civil catarinense, iniciando uma trajetória marcada por atuação em diferentes delegacias e municípios do estado.
Segundo ela, a escolha pela profissão teve forte influência familiar.
“Minha primeira motivação foi o exemplo do meu pai, que também é policial, somado ao compromisso com a justiça e com a proteção da sociedade”, afirma.
Desafios da profissão
Ao longo da carreira, a delegada enfrentou desafios comuns às mulheres que atuam em áreas historicamente dominadas por homens. Entre eles, a necessidade constante de provar capacidade técnica e liderança, além de conciliar a rotina profissional intensa com a vida familiar.
Hoje, à frente de uma diretoria regional da Polícia Civil, ela destaca que liderar significa assumir responsabilidade e compromisso com o serviço público.
“Ocupar uma posição de liderança dentro da Polícia Civil representa, antes de tudo, uma grande responsabilidade e um compromisso permanente com a legalidade e com a eficiência do serviço público”, ressalta.
Entre a maternidade e a missão profissional
Além da carreira policial, Carolini também divide a rotina com a maternidade. Mãe de dois filhos, ela afirma que a família é uma das principais fontes de força para enfrentar os desafios da profissão.
Segundo a delegada, a experiência de ser mãe também contribui para ampliar a sensibilidade no atendimento às vítimas que procuram ajuda nas delegacias, especialmente em casos que envolvem famílias em situação de vulnerabilidade.
Orientação às mulheres
A delegada também deixou uma mensagem para mulheres que vivem situações de violência e ainda têm receio de denunciar.
“Eu diria a essas mulheres que elas não estão sozinhas. O medo é compreensível, mas é importante procurar ajuda e romper o silêncio. Hoje existem leis e mecanismos de proteção, e a Polícia Civil está preparada para acolher, orientar e garantir a proteção necessária.”
Reflexão sobre o Dia da Mulher
Ao falar sobre o Dia Internacional da Mulher, Carolini destacou que a data vai além de homenagens. Para ela, é um momento de reconhecer conquistas, mas também de refletir sobre os desafios que ainda precisam ser superados na busca por igualdade, respeito e segurança.
“Cada mulher carrega uma história de luta, coragem e superação. Que nunca deixemos de acreditar na nossa capacidade de transformar espaços, construir caminhos e contribuir para uma sociedade mais justa e respeitosa para todos”, concluiu.