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Padre de Pedras Grandes é repreendido por diocese após divulgar informações falsas sobre vacina contra a Covid

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Declarações foram feitas durante missa dominical por pároco; diocese orientou sacerdote a corrigir o que disse. Promotoria de Justiça diz que vai apurar o caso.

Um padre foi repreendido pela Igreja Católica após divulgar informações falsas a fieis sobre a vacina contra a Covid-19 e seus efeitos durante a transmissão online de uma missa em Pedras Grandes. O Ministério Público (MPSC) deve apurar o caso.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (3), a Diocese de Tubarão, responsável pela paróquia de São Miguel Arcanjo, onde foi feita a transmissão da missa pela internet, afirmou que a vacina é “dom em favor da vida” e que o sacerdote foi repreendido e aconselhado a corrigir a declaração.

No dia 24 de janeiro, o padre Claudemir Serafim, transmitiu a celebração em uma rede social da igreja. Ele associou a produção de vacinas contra o coronavírus ao aborto e citou supostos efeitos colaterais, desestimulando a imunização. As afirmações vão na contramão do que é da ciência e do que é recomendado pelos órgãos de saúde.

O vídeo tinha mais de 870 visualizações até as 20h desta quarta (3). Nele é possível notar que havia outras pessoas na celebração. Coroinhas e padre aparecem sem máscara durante toda a cerimônia – o item de proteção é obrigatório no estado.

Na publicação, que contém 78 comentários, um das pessoas que assistiu à transmissão se mostra contrária a declaração do sacerdote. “Já notificamos autoridades eclesiásticas desse sacerdote sobre os apurados que ele diz sem embasamento e prestando notável desserviço à igreja e à saúde dos fiéis”, diz.

MPSC vai apurar se há indício de crime

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou nesta quarta-feira (3) que a 4ª Promotoria de Justiça de Tubarão vai instaurar um procedimento inicial com base no vídeo que circula nas redes sociais. Este procedimento preparatório foi instaurado para verificar se há algum indício de crime e tem a função de apurar maiores informações sobre o caso.

De acordo com o último boletim da doença divulgado pelo governo estadual na terça-feira (2), a cidade de Pedras Grandes registra 252 casos e 9 óbitos em razão da Covid-19.

O G1 tentou contato com a Secretaria de Saúde do município mas não teve resposta até o fechamento desta reportagem. No dia 28 de janeiro o município informou que recebeu 30 doses da vacina contra a Covid-19 Oxford -AstraZeneca e 26 doses da vacina CoronaVac.

Vacina é ‘dom em favor da via’ diz bispo de SC

Por meio de nota, divulgada nesta quarta-feira (3) a diocese da cidade de Tubarão, também no Sul, que é responsável pela paróquia de Pedras Grandes, afirmou que sempre esteve de acordo com as determinações das autoridades sanitárias e que a recomendação é que a Igreja acolha a vacina e que motive outras pessoas a fazerem o mesmo.

No documento, o Bispo Dom João Salm, diz que “ninguém está autorizado a passar ao povo, em nome da Igreja, orientações diferentes, nem mesmo um padre”.

A nota finaliza informando que a fala do pároco Claudemir Serafim é de responsabilidade dele e que o mesmo já foi repreendido e incentivado a corrigir suas ações.

O que diz a ciência sobre as vacinas

Segundo o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Aguinaldo Roberto Pinto, especialista em Microbiologia, Imunologia e Parasitologia, HIV e Aids e vacinas, não é verdade que a produção de vacinas está associada a abortos.

Ele explica que para a produção de vacinas que usam os vírus inativados, como é o casos de algumas vacinas contra a Covid-19, é necessário produzir vírus. Para isso é necessária uma célula. É dentro das células, animais ou humanas, que o vírus consegue se reproduzir. E para isso ser feito, são utilizadas as linhagens celulares, que são obtidas a partir destas células.

“Não é verdade que estão ocorrendo abortos agora para que sejam produzidas novas vacinas. Por exemplo, a vacina contra a paralisia infantil, a da gotinha, nesta vacina tem o vírus atenuado contra a poliomielite. Esse vírus da pólio foi crescido em células de rins de macaco verde. Existem linhagens que podem vir de seres humanos também. Ou elas vem de tumores ou de origem embrionária. Como é o caso de uma que é utilizada agora para fazer o adenovírus das vacinas da Covid-19 que é o HEK293. Esta célula vem de um feto que foi abortado na Holanda em 1973. O aborto foi legal e as células foram doadas para o laboratório. A partir deste único episódio criou-se essa linhagem celular que é utilizada até hoje para várias finalidades”, explicou

Ainda segundo o professor, não é possível afirmar que ocorreram mais mortes de fetos abortados do que por Covid, como diz o padre.

“Aqui no Brasil neste último ano a gente sabe que morrem mais de 200 mil pessoas de Covid-19. Quantos abortos aconteceram no Brasil neste tempo? A gente não sabe, mas acho muito improvável que tenham ocorrido mais abortos do que mortes por coronavírus neste um ano de doença”, afirmou.

Sobre os eleitos colaterais, segundo o especialista, também não há nada que comprove que eles ocorram. “A gente não sabe se vão ter efeitos adversos daqui há 10 anos, isso é um achismo. Mas as evidências científicas apontam para que isso não aconteça”, disse.

Vaticano considera uso da vacina ético

Como o pesquisador já explicou (veja acima), durante a pesquisa para desenvolver algumas vacinas da Covid-19, foram usadas células cultivadas em laboratório a partir de tecidos de fetos abortados nas décadas de 1960 e 1970. Sobre isso, o Vaticano afirmou em dezembro de 2020 que considera que as vacinas podem ser usadas, em boa fé e que não são uma cooperação formal com o aborto.

A nota do Vaticano afirma que a vacina não constitui, nem mesmo de uma forma indireta, uma legitimação da prática do aborto.

No texto, pede-se que a indústria farmacêutica desenvolva vacinas completamente éticas e que os governos e organizações internacionais as tornem acessíveis aos países pobres.

A nota afirma que apesar o uso ser voluntário, “o bem comum recomenda a vacinação, especialmente para proteger os mais frágeis e mais expostos”.

Com informações do site G1/SC

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