O que é o transtorno que Fiuk revelou ter: “Os moleques acabavam comigo, tinha que me isolar”

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Recentemente, os participantes do “BBB 21” se apresentaram e, em meio às histórias de cada um, Fiuk se abriu bastante. Segundo ele, após uma infância marcada por bullying e falta de compreensão, ele descobriu ter transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH ou DDA), algo que afeta muitas pessoas sem que elas sequer saibam que há formas de tratá-lo.

Fiuk revela transtorno no “BBB”

A outros participantes do “Big Brother Brasil”, o cantor e ator Fiuk se abriu sobre ter TDAH. Conforme contou, ele frequentemente recebia notas baixas na escola, era criticado em casa e, devido ao comportamento, era maltratado pelos colegas de sala. “Os moleques acabavam comigo, eu sempre tinha que me isolar, sentar no canto. Tem um moleque que me dava tapa na cabeça”, disse.

Por conta do bullying, ele teve períodos de baixa autoestima. “Fui querendo saber: o que é isso que eu tenho? Será que eu realmente sei menos? Será que minha cabeça é limitada?”, questionou ele, dizendo que, anos depois, ele descobriu a existência do transtorno de déficit de atenção, distúrbio que pode comprometer diversas esferas da vida por certas dificuldades e falta de empatia alheia.

TDAH: o que é o transtorno que Fiuk tem?

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Conforme explica o psiquiatra Marco Antônio Abud Torquato Junior, que é especialista em déficit cognitivo, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é, um distúrbio marcado por impulsividade, hiperatividade e desatenção – e, apesar de as causas para o surgimento deste transtorno ainda não serem totalmente conhecidas, diversos estudos foram capazes de criar algumas suposições.

Segundo o especialista, acredita-se que o distúrbio esteja ligado a alterações relacionadas a neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, responsáveis pela transmissão de informações entre os neurônios no cérebro. Isso, por sua vez, pode prejudicar aspectos como memória, atenção, autocontrole e capacidade de organização ou de planejamento.

As alterações que dão origem ao transtorno, de acordo com ele, estão geralmente ligadas à predisposição genética, mas também é possível que elas sejam causadas durante o período em que a pessoa foi gerada. Abuso de substâncias como álcool e nicotina por parte da mãe na gestação e sofrimento fetal no momento do parto, por exemplo, podem afetar o cérebro do bebê, ainda em formação.

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Sintomas e tipos

Conforme explica o psiquiatra, nem todas as pessoas que têm o distúrbio apresentam os mesmos sintomas, e isso se deve ao fato de que o TDAH tem subtipos, cada um deles com um quadro específico. São eles:

  • Desatento: quem pertence a este grupo tende a se distrair facilmente, ter dificuldades em se concentrar, realizar tarefas longas ou seguir instruções, bem como falta de organização e lapsos de memória (principalmente a de curto prazo);
  • Hiperativo/impulsivo: já as pessoas pertencentes a este grupo costumam ter dificuldade de ficar paradas por muito tempo e sentem necessidade de realizar diversas ações ao mesmo tempo. Além disso, elas são, em geral, ansiosas e estressadas, apresentam comportamentos compulsivos e são pouco tolerantes a frustrações e erros;
  • Combinado: já no grupo combinado, o paciente apresenta os sintomas dos dois grupos anteriores.
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Tratamento

Apesar de o TDAH não ter cura, é possível realizar um tratamento para amenizar as características do transtorno caso elas sejam intensas a ponto de interferir negativamente na rotina da pessoa. Neste âmbito, podem ser usados remédios psicoestimulantes, treinos de mindfulness (atenção plena), mudanças de hábito, apoio emocional e psicoterapia.

Pela possibilidade de afetar o aprendizado, as características do TDAH costumam ser notadas ainda durante a infância e, caso não sejam encaradas pelos pais como algo passageiro ou como falta de capacidade da criança, é possível iniciar o tratamento bastante cedo. Caso a pessoa descubra na vida adulta, porém, ela também terá benefícios com o tratamento.

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