Abrigo dos Velhinhos: familiares denunciam negligência na instituição

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As dificuldades inerentes da idade, como a diminuição da capacidade física e o aparecimento de enfermidades, fazem com que os idosos se tornem vítimas fáceis de descuido

Familiares dos internos do Abrigo dos Velhinhos de Tubarão, recentemente entraram em contato com a equipe do Portal Notisul e mais uma vez denunciaram situações de maus-tratos, desnutrição e desidratação. A negligência teria, inclusive, colaborado para as mortes de nove internos desde meados do ano passado.

Para eles, a pandemiado coronavírus esconde uma faceta cruel e traiçoeira: como as visitas não podiam ocorrer, os idosos foram deixados à míngua, em meio à disseminação da Covid-19. Conforme a filha de uma interna, a sua mãe ficou doente de madrugada e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), levou a mulher para o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC). Por inúmeras vezes funcionários da unidade hospitalar buscaram contato com a direção do asilo, para obter informações relacionadas ao estado de saúde da idosa.

Pela manhã entraram em contato com a filha da mulher e pediram que ela fosse à casa de saúde. “Soube que representantes do hospital buscavam contato com a Schirlei, presidente da instituição e que possui a curatela de alguns internos, mas ela não atendia o celular e não respondia as mensagens. Foram dias sem contato. Infelizmente foi negligenciada ajuda ao idoso”, lamenta.

Conforme informações havia cinco funcionários afastados, dois confirmados com a doença e os demais suspeitos. Mais uma vez foi relatado que uma enfermeira que trabalhava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de Tubarão tinha sido afastada de suas funções na unidade por ter testado positivo, porém ela continua trabalhando no abrigo.

Filho de um interno do asilo, Paulo Henrique de Souza, conta que só foi saber que o seu pai estava doente porque o idoso falou por meio de contato telefônico. “Quando fui atrás dos funcionários da casa é que falaram dos sintomas dele. Ninguém procurou os familiares. Soube que o meu pai estava grave, mas também fui informado que havia outros em estado pior de saúde”, assegura.

Segundo Paulo, a escolha de morar em asilo foi de seu pai após o falecimento da esposa. Ele expõe que os maiores problemas do local são causados pela direção da instituição a presidente, Schirlei Terezinha da Rosa Mendonça e a auxiliar administrativo, Mirtes de Campos. “Há alguns meses fiz uma denúncia porque meu pai passou por um procedimento cirúrgico de glaucoma, em Florianópolis. Ele tinha uma pressão de 30 e veio para 10. Após um tempo o meu pai passou por uma consulta na capital e a pressão estava em 40. Foi constatado que não estavam aplicando o colírio. No último dia 2 fui à instituição e estavam todos os funcionários sem máscara. O atendimento tem se mostrado ruim”, lastima.

Paulo conta que faz hemodiálise e por causa disso possui limitações. Ele afirma que assim que seu pai deixar a unidade hospitalar, o idoso deverá morar em outra casa. “Há tantas denúncias, ligações para o Ministério Público, boletins de ocorrência e ninguém derruba ou pune essa direção e sua auxiliar administrativo. A negligência com os idosos é grande e se não me manifestar serei cúmplice de maus-tratos. Muitos familiares não sabem que seus pais estão passando na casa”, constata.

Segundo a filha de uma idosa que faleceu recentemente, os internos têm sido tratados iguais ou piores que bichos. “A direção não quer saber dos idosos, mas sim do dinheiro. Os doentes elas não querem nem que levem para o hospital, que morram na instituição. Presenciei no inverno que todos ficavam sem roupas na hora do banho um atrás do outro. Era uma tristeza. Não tinha um aquecedor, um secador de cabelo para as idosas. Apesar da minha mãe não estar morando comigo sempre fui uma filha muito presente. Se a Schirlei não sair de lá mais idosos irão morrer. Outras pessoas também deveriam sair de lá por amarem apenas o dinheiro e não o próximo. Muitos estão reclamando disso”, pontua.

Ela expõe que ligava para a instituição e perguntava pela mãe e os funcionários afirmavam que a mulher estava bem, mas a idosa já não estava mais andando. “Entrei em pânico e fiquei horrorizada. Não era informada sobre o estado de saúde dela com veracidade. Na hora pensei que levaria ela para o hospital, mas que ela não sairia viva. Antes da pandemia ainda conseguíamos cuidar um pouco, porém depois disso a instituição está um horror. Ninguém toma uma providência. Não sei porque não afastam a direção. Muitos funcionários saíram da unidade porque não agüentaram ver essa situação”, finaliza.

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