quinta-feira, outubro 18, 2018
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Sobrenatural: A Última Chave (2018): para trancar e jogar a chave fora

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O quarto filme da franquia Sobrenatural é uma prequel do anteriores, trazendo a história da médium Elise Rainier. Pena que a execução, as atuações e o roteiro sejam tão ruins e pueris, que fica até difícil torcer por mais algum novo capítulo da cinessérie.
Jason Blum é um verdadeiro Midas no mundo do cinema de terror. Seus filmes, de baixíssimo orçamento e bilheterias expressivas, são a “coqueluche” do momento. Filas homéricas de diretores jovens, desconhecidos e inventivos (ou não) se formam na porta da produtora de Jason, a Blumhouse. Com uma enormidade de nomes à disposição e com as máquinas trabalhando a todo vapor, nem sempre a qualidade dos longas produzidos por lá podem ser equiparados a um “Corra!” ou um “Fragmentado”, exemplos mais recentes de sucesso da empresa, e é na ponta mais baixa da gangorra que se encontra este “Sobrenatural: A Última Chave”.

O quarto filme da franquia “Sobrenatural”, criada com a ajuda do mestre moderno do horror, James Wan (“Invocação do Mal 2”), – que aqui só produz -, é basicamente um arremedo de cenas recicladas, atuações canhestras e sustos gratuitos que fazem rir. Na trama, basicamente um spin-off da cinessérie, conhecemos o passado da sensitiva Elise Rainier (Lin Shaye, de “Ouija: Origem do Mal”) e o mal que a acomete desde sua infância. Quando ela é chamada para ajudar um homem que vive em sua antiga casa, onde reside um verdadeiro monstro, ela resolve voltar para fechar “portas” que havia deixado abertas no passado.

Apesar do plot ser chamativo e até interessante para quem é fã dos filmes anteriores e sempre quis saber de onde vieram os poderes da médium combatedora de demônios, o roteiro criado em torno dele é simplesmente horroroso. Todos os personagens parecem saídos de uma mente que nada entende sobre o comportamento humano ou sobre as relações que os interligam. Em uma cena, por exemplo, um personagem, que parece nunca ter brigado com alguém na vida, explode a cabeça de um homem da maneira mais brutal que se pode imaginar e logo em seguida, já está paquerando uma garota… na cena do ocorrido… como se nada tivesse acontecido!

A dupla de pseudocomediantes, que acompanham a Dra. Rainier desde sempre, são a pior coisa da franquia e aqui não poderia ser diferente! Specs (Leigh Whannell, de “Nunca Diga Seu Nome”) e Tucker (Angus Sampson, de “Mad Max: Estrada da Fúria“) são personagens irritantes e suas piadas, que sempre soaram fora de contexto e acima do tom, ganharam ainda mais tempo de tela, tornando-se a pior decisão possível que o diretor Adam Robitel (“A Possessão de Deborah Logan”) poderia ter tomado. Sobra para a esforçada Shaye segurar a bronca e dar alguma dignidade à fita. Pena que ela também não tenha talento ou carisma suficiente para assumir um filme inteiro, e assim ficamos com uma sensação ininterrupta de que tudo aquilo é apenas um prólogo e que os protagonistas verdadeiros ainda irão aparecer na tela para salvar o dia.

Nos primeiros minutos, o diretor até constrói uma boa atmosfera de terror com as crianças e uma família que não quer acreditar no poder mediúnico delas. Os barulhos soturnos e uma escuridão bizarra e chamativa até ilustram e ensaiam um bom suspense. Porém, no momento em que somos apresentados a um monstro com dedos feitos de chaves e poderes mutáveis, adequados apenas aos momentos em que o péssimo roteiro de Whannell – que além de “atuar”, escreveu todos os textos da franquia – sugere, fica muito difícil imergir no clima proposto. E é claro que as piadinhas recorrentes da dupla supracitada só ajudam nessa falta de imersão. Tente se assustar com uma cena em que um personagem boboca anda com um microfone que detecta fantasmas como se estivesse segurando uma espingarda!!

“Sobrenatural: A Última Chave” é um filme de terror que não pode ser levado a sério de jeito nenhum. A não ser que você se assuste com piadas ruins e atuações abaixo da média.

cinemacomrapadura
Rogério Montanare

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