quinta-feira, setembro 20, 2018
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Pontos turísticos

Roteiro de Anita Garibaldi

Por onde o turista passar, encontra história em todas as ruelas do centro histórico de Laguna. Vamos percorrer os locais onde o passado remete a história do povo lagunense.

Casa da rua do rincão

Esta edificação de arquitetura luso-brasileira, localizada na antiga Rua do Rincão, foi a casa onde Anita viveu com seus pais, no início da adolescência. Em ruínas, esta edificação passará por restauro pelo Ministério da Cultura – IPHAN.

Fonte da Carioca

No início da sua colonização, Laguna tinha três fontes de água que abasteciam a cidade. A fonte da Figueirinha, Campo de Fora e da Carioca, esta última a única preservada ainda hoje.

A fonte da Carioca fica localizada ao lado da Casa Pinto D” Ulysseá, na Praça Lauro Muller.

No pé do morro, a fonte é abastecida de água mineral, comprovada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Antigamente, apenas uma pequena bica jorrava água. No ano de 1863, uma estrutura foi construída por escravos, responsáveis pelo trabalho braçal.

Foi denominada Carioca, que em tupi-guarani significa casa branca ou oca. A água da fonte foi por muito tempo, canalizada para prédios públicos e também para uma fonte ao lado do antigo Mercado Público.

O local tornou um dos pontos turísticos da cidade, levando a fama da fonte dos namorados. O motivo são as idas e vindas das famílias até a fonte.

Durante o passeio, os jovens solteiros trocavam olhares. O trajeto servia como atrativo, a água da Carioca era levada pelas famílias que visitavam os lagunenses. São nessas idas que casamentos iniciaram originando a fama do lugar.

Comum ouvir do turistas que visitam o local que “tomar a água da Carioca, é sinal que você irá voltar outras vezes”.

Como chegar:
Praça Lauro Muller, no centro histórico.

Casa Pinto D’Ulisséa

É uma réplica de uma quinta portuguesa, totalmente revestida com azulejos importados de Portugal. Uma casa de muito luxo para a época, 1866.

Casa de Anita

Foi nessa casa que Anita Garibaldi vestiu-se para o seu primeiro casamento, com o sapateiro Manoel Duarte de Aguiar, em 1835. A casa típica colonial luso brasileira foi construída por volta de 1711, pertencia ao padrinho de Anita, João Joaquim Mendes.

Atualmente, o prédio com um acervo que lembra a trajetória de Anita e seu romance com Giuseppe Garibaldi. Guarda, além de móveis da época e utensílios pessoais, uma urna com a terra da sepultura da heroína e o mastro do navio “Seival”, uma das embarcações transportadas por Giuseppe Garibaldi desde o interior do Rio Grande do Sul até a tomada de Laguna. A edificação foi restaurada na década de 1970 e transformada em relicário histórico.

Como chegar 
Esquina da rua Angelo Novi, ao lado da igreja Santo Antônio dos Anjos, no centro histórico.

Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos

A primeira capela de alvenaria foi construída em 1696, substituindo a de pau-a-pique feita pelo fundador Domingos de Brito Peixoto, quando ele veio para a cidade, no mesmo local onde está a atual.

A imagem foi escolhido por se tratar do santo de devoção do colonizador. A denominação dos Anjos, acreditam os historiadores, uma homenagem aos anjos da guarda.

A atual igreja começou a ser erguida em 1735, pois a comunidade crescia e não tinha mais lugar para abrigar os fiéis. No ano de 1753 é fundada a Irmandade do Sacramento do Santo Antônio, o grupo no ano de 1792 envia para a Bahia um tronco de madeira nativa, base de uma nova imagem do Santo Antônio.

No livro de Nail Ulysséa, a pesquisadora denomina o autor da obra como: criativo, alegre e humilde. O nome do artista nunca foi encontrado. Sua obra-prima chegou na cidade em 1796, com 1,68 metros de altura, mesma do santo em vida. Ao ser colocado no altar, onde está até hoje o povo ficou emocionado. A imagem é retirada para a procissão no mês de junho.

O artista confeccionou um rosto, onde em todas os lados pode-se ver o santo observando os fiéis. Segundo o pesquisador e devoto de Santo Antônio, Antônio Carlos Marega, “ao entrar na igreja e olhar para a imagem, o santo está com uma aparência séria, mas ao se aproximar o sorriso logo aparece”.

Durante o período que vai até 1935, a igreja recebe as intervenções necessárias para deixá-la como está hoje. O relógio no alto da igreja foi o último detalhe colocado. O estilo arquitetônico da igreja é o toscano. Na parte interna é possível observar estilos barrocos. Em 2000, o Ministério da Cultura iniciou outra reforma.

Santo Antônio

Conhecido como Santo Antônio de Lisboa ou Santo Antônio de Pádua, mais popular, o Frei Antônio, como era chamado quando estava vivo, já era muito reconhecido por seus milagres. Ficou intitulado como santo casamenteiro por interceder, por orações, no futuro de uma mulher que conseguiu mudar sua vida e casar.

Em Laguna, dia 13 de junho é feriado municipal. Na igreja ocorre as tradicionais homenagens ao santo, trezenas, procissões e entrega dos pãeszinhos de Santo Antônio.

Como chegar:
Final da rua Jerônimo Coelho, no centro histórico.

Marco de Tordesilhas

Logo após a chegada de Cristóvão Colombo na América (1492), a corte espanhola começou a se preocupar em proteger legalmente as terras descobertas na América.

Portugal, assim como a Espanha, era uma potência militar e econômica da época. Para evitar conflitos, espanhóis e portugueses resolveram abrir negociações para o estabelecimento de um tratado.

Este deveria contemplar os interesses de ambos os reinos na descoberta, exploração e colonização das “novas terras”.

O Tratado de Tordesilhas foi um acordo firmado em 4 de junho de 1494 entre Portugal e Espanha. Ganhou este nome, pois foi assinado na cidade espanhola de Tordesilhas. O acordo tinha como objetivo resolver os conflitos territoriais relacionados às terras descobertas no final do século XV.

De acordo com o Tratado de Tordesilhas, uma linha imaginária a 370 léguas de Cabo Verde serviria de referência para a divisão das terras entre Portugal e Espanha. As terras a oeste desta linha ficaram para a Espanha, enquanto as terras a leste eram de Portugal. Em Laguna, o Marco de Tordesilhas remonta a história do século 14. A linha imaginária começava no estado do Pará atravessando o Brasil, chegando em Laguna.

Na época o Brasil não tinha sido descoberto, com a chegada dos portugueses, a partir do século 15, o Brasil foi dividido em Capitanias Hereditárias e Laguna pertencia a última ao sul, a Capitania de Santo Amaro e Terras de Sant’Ana”. O Tratado de Tordesilhas deixou de vigorar apenas em 1750.

Na década de 70 foi erguido o Marco de Tordesilhas de Laguna para lembrar do fato histórico.

Como chegar:
Avenida Colombo Machado Salles, centro histórico (ao lado da rodoviária da cidade)

Pedra do Frade

Instigante e curiosa, a Pedra do Frade, aguça a imaginação dos visitantes, quando se deparam com uma pedra monumental inclinada sobre uma rocha à beira-mar. Localizada na extremidade do Morro do Gi, a pedra, que recebeu esse nome pela semelhança com um padre franciscano, equilibra suas 30 toneladas e desafia a lei da gravidade.

Medindo 9 metros de altura e 5 metros de diâmetro, o menir, palavra que vem do bretão e que significa pedra longa, é ainda mais intrigante, ao suportar uma rocha triangular sobre o topo, dando a impressão de ser uma tampa. O costão originou o nome da praia que o cerca, a pedra para os índios parecia uma parece um machado de pedra (Jy) na língua tupi-guarani.

Inúmeras versões e especulações giram entorno do surgimento da pedra, entre elas, a história de que há muitos anos, enquanto alguns sábios meditavam naquele lugar, começou uma forte tempestade que provocou uma espécie de avalanche de pedras que em vez de os atingirem, simplesmente pararam. Assim, elas teriam permanecido naquele local até hoje.

Para os nativos da região a pedra foi colocada estrategicamente pelos índios pré-históricos que habitavam o local há três mil anos.

Para a arqueologia, a Pedra do Frade foi obra da natureza. Seriam pedras que rolaram de uma colina e que por acaso uma ficou em cima da outra e que com o passar dos anos foram talhadas pela erosão e ação dos ventos. Embora seja a teoria mais oficial, ainda não é possível comprová-la.

Como chegar:
A pedra está a, aproximadamente, 10 Km do centro de Laguna, na região norte do município. O acesso pode ser feito pela praia ou pela estrada da Praia do Gi, passando à esquerda pelo trevo do Laguna Internacional.

Farol de Santa Marta

Ás 17h06min21seg do dia 11 de junho de 1891, uma luz foi acesa e transformou a pacata vila de pescadores. Hoje chamado de Farol de Santa Marta, que tornou-se símbolo turístico para Laguna e um aviso aos navegantes. Projetado pelos franceses Barbier Bernard e Turenne.

Desde 1941, o sistema que acende a lâmpada e gira a enorme redoma de cristal é elétrico, mas toda a estrutura de 125 anos está em pleno uso.

Além de fornecer informações meteorológicas, o farol de Santa Marta emite sinal de rádio para navios, também utilizado para a aviação. Os marinheiros ainda estão 24 horas atentos para receber qualquer chamado e ajudar se necessário.

Para quem está em alto mar, à noite, a luz se acende três vezes no intervalo de 30 segundos e o feixe de luz conecta o pescador à sua terra. O vento dobra as ondas, mas a torre branca sobre a colina permanece firme como o alicerce da comunidade.

Desde então, o Farol de Santa Marta passou a fazer história. Guarnecido pelos marinheiros responsáveis pela sua manutenção, a região ganhou os primeiros moradores no ano de 1909.

As embarcações aprenderam a observar o feixe vermelho da luz voltado para o sul que indica a posição exata da Pedra do Campo Bom, a Laje da Jagua. A traiçoeira formação rochosa havia afundado o navio de Giuseppe Garibaldi, 1839 anos antes, durante a Revolução Farroupilha.

Características:
– Inaugurado em 1891
– Alcance geográfico (visível durante o dia com tempo limpo): 22 milhas náuticas ou 40,7 quilômetros
– Alcance luminoso (à noite com tempo limpo): 46 milhas náuticas ou 85,1 quilômetros
– Altura da torre: 29 metros
– Altitude: 74 metros
– Câmera de luz: formada por cerca de 300 cristais com 2,66 metros de diâmetro e 3 metros de altura. Lâmpada de 1000 watts
– Característica: grupo de ocultação de três lampejos. No período de 30 segundos, fica 15 aceso; 5,5 apagado; 0,3 acesso; 3,4 apagado; 0,3 acesso e 5,5 apagado

Como chegar:
Localizado a 20 quilômetros do centro de Laguna, ao sul, passando pelo canal da Lagoa Santo Antônio, pela balsa e utilizar a SC-100

Museu Anita Garibaldi

A construção do Paço do Conselho foi iniciada em 1735, foi terminada no final do século XVIII, seu alicerce e paredes foram erguidos com areia, pedras e cal, oriundo dos sambaquis, onde as conchas foram trituradas e misturadas com o barro.

O prédio é um dos monumentos mais antigos do sul do Brasil.

Conhecido como Edifício de Câmara e Cadeia, abrigava no piso superior a Câmara de Vereadores e no térreo, o corpo da Guarda Municipal. Foi na Câmara que se proclamou a República Catharinense Livre e Independente (1839).

Com o surgimento, no Rio Grande do Sul, do movimento dos farrapos contra a monarquia, ocorre em 1836, a Proclamação da República Rio Grandense, e a necessidade de um porto marítimo contribuí para a tomada da Vila de Laguna, em Santa Catarina.

No dia 22 de julho de 1839, as forças farroupilhas, com a ajuda de Giuseppe Garibaldi (1807 – 1882), político e militar revolucionário italiano, tomaram a Vila e proclamaram a República Juliana. O fato ocorreu no prédio da Câmara, hoje museu Anita Garibaldi, na frente do espaço tem uma estátua de bronze em homenagem a heroína.

Com o passar dos anos ele foi abandonado, algum período ocupado por departamentos municipais, inclusive a biblioteca.

Em 1949, o prédio voltou a ser utilizado, definitivamente como Museu Anita Garibaldi, onde encontra-se nesta edificação desde 31 de julho de 1949. O espaço guarda um acervo eclético, destacando-se peças de alto valor arqueólogo encontradas nos sambaquis da região, também de grupos indígenas que viveram na região. Outros objeticos relacionadas à formação sócio-cultural lagunense, como peças de porcelanas, utensílios domésticos e móveis podem ser visitados.

Também objetos pertencentes ao Jerônimo Francisco Coelho, considerado pai da imprensa de Santa Catarina. O acervo discográfico e a gaita de Pedro Raymundo, músico popular das décadas de 50 e 60, está no acervo.

Como chegar 
Na Praça República Juliana, no centro histórico, na rua Raulino Horn.

Morro da Glória

No Centro Histórico, um dos pontos turísticos está rodeado de verde: o Morro da Glória, com 128 metros de altura, área de preservação ecológica. Uma das vistas mais belas da cidade.

O morro sempre esteve presente no cotidiano dos moradores, seja abençoando a cidade através da imagem de Nossa Senhora da Glória, ou no século 18, com a comunicação entre navios e a capitania, fato que originou o primeiro nome Morro do Pau do Sinal.

A história remonta o século 18, quando não existiam os Molhes da Barra, os navios tinham que atravessar a força das ondas nas pedras da entrada do canal Santo Antônio dos Anjos. Como ficavam muitas vezes dias esperando em alto-mar o momento exato para entrar em Laguna, os comandantes dos navios hasteavam bandeiras informando o que transportavam, a intenção era comunicar-se com a capitania, que ficava na Praça do Museu de Anita, antiga Praça da Bandeira.

No alto do morro, um soldado copiava as bandeiras do navio e do outro lado, os integrantes da Capitania interpretavam e hasteavam a bandeira, informando como estava a maré. No alto do Morro o mesmo era feito.

Ter uma nova bandeira no alto do morro do Sinal, atiçava a curiosidade do povo, interessado em descobrir o que transportava o navio, ancorado em alto-mar. Uma farmácia no centro histórico organizou uma tabela com cada bandeira, que provocava uma corrida até o balcão do estabelecimento.

Por décadas, a técnica de comunicação de bandeiras movimentava o centro histórico. Até no início do século 19, com a construção dos Molhes, que facilitou a entrada de barcos na lagoa Santo Antônio.

Sem as bandeiras, o Morro trocou de nome em 1953, com a construção da imagem de oito metros de Nossa Senhora da Glória, pela Congregação Mariana. O casal de escultores Alfredo Itaege e Elisa Faccio Itaege foi o responsável pela obra de oito metros.

O financiamento foi feito por Francisco Fernandes Pinho. Engenharia a cargo de Colombo Machado Salles, com a rede elétrica instalada pela prefeitura de Laguna.

Como chegar:
Pelo centro histórico na rua Voluntário Benevides, primeira rua á direita.