segunda-feira, dezembro 10, 2018
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Os seus fantasmas se divertem?

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Um dos clássicos da Sessão da tarde mais reprisados (Lagoa azul riu disso) é o cultuado Os fantasmas se divertem, de Tim Burton. Na trama, o casal Adam (Alec Baldwin) e Bárbara Maitland (Geena Davis) morrem em um acidente de carro perto de sua casa, em que são obrigados a assombrar por mais de cem anos. Como se isso já não fosse ruim, uma nova família se muda para essa tal “casa assombrada”, o que faz o casal recém falecido buscar, sem sucesso, assustar os novos moradores.

Então conhecemos um dos personagens mais icônicos (e loucos) do cinema: Besouro suco (foto acima). Ele se oferece ao nosso casal como um especialista em “exorcizar humanos”. Seus métodos são pouco convencionais e vão além de só expulsar humanos. E aqui, Tim Burton levanta uma grande questão: os fantasmas querem expulsar os vivos, mas não vemos a mesma motivação nos mesmos. E sabe por quê? Nós, humanos, temos dificuldade em abrir mão dos fantasmas do nosso passado.

Fantasmas nem sempre são aquelas criaturas que se vestem de lençol ou tentam puxar os nossos pés durante a noite. Fantasmas também podem ser definidos como memórias de tempos passados. Memórias do que fizemos. Memórias de quem fomos. Memórias do que fizeram de nós. São dois conceitos diferentes um do outro. Mas eles têm algo em comum: os dois pertencem ao passado. O fantasma é alguém que já morreu, logo, passado. E as memórias só existem porque o passado existe.

O apóstolo mais lembrado entre os cristãos do primeiro século foi Paulo. A forma pela qual ele inicia seu ministério é realmente brilhante, espalhando discípulos e igrejas por todos os cantos em que falava sobre Jesus. No livro de Atos, ele decide discursar em Atenas, o berço da filosofia e, após o discurso, todos comentavam a respeito de sua mensagem, inclusive os filósofos. Ele conseguia, de fato, fazer com que as pessoas se aprofundassem nas escrituras. E no fim de sua vida, ele diz a frase mais inspiradora de sua existência: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4:7). Mas Paulo também tem um passado.

Antes dos cristãos serem abençoados pelas palavras de Paulo, eles eram perseguidos por ele. O apóstolo era um judeu conservador que não estava gostando muito da onda cristã que se levantara diante dele. Paulo então decide ir até o sumo sacerdote para pedir uma carta que o desse direito de prender todos os seguidores de Cristo que ele encontrasse pelo caminho. Um passado um tanto pesado, não? Mas a questão principal é que Paulo não é lembrado como um perseguidor, mas como um grande homem de Deus. E sabe o porquê? Ele não deixou os seus fantasmas se divertirem.

Filipenses 3:13-14 diz: “Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, afim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.”

Memórias antigas são muito boas de se visitar. O problema é quando queremos morar nelas. O passado de Paulo existe, está ali, mas ele não está lá. Assim aconteceu, pois o apóstolo decidiu “avançar para as coisas que estão adiante”, coisas estas que, Jesus ofereceu através da cruz. E o que, exatamente, Jesus oferece a Paulo para que ele siga adiante? Um propósito. É o propósito que nos faz querer viver o presente. É o propósito que nos faz sonhar com o futuro. É o propósito que nos faz “esquecer as coisas que ficaram para trás”.

Cada um de nós é dono de um propósito único. Existe uma riqueza dentro de você que somente você tem. E essa riqueza não é boa só para você, ela também ajuda outras pessoas. Pois a nossa riqueza é capaz de suprir a pobreza de alguém. Assim como a nossa pobreza também pode ser suprida pela riqueza de alguém. Ou seja, propósitos são as nossas maiores riquezas nessa vida. São eles que fazem com que a gente se divirta vivendo. Não existe nada mais divertido do que uma vida com propósito.

Paulo não deixou de ter aflições ou sofrimentos porque descobriu seu propósito. Mas sua vida se tornou divertida porque agora ele tem uma razão para continuar a seguir em frente. Muitas pobrezas foram supridas pela riqueza de Paulo. E muitas pobrezas ainda serão supridas pela riqueza que existe dentro de você. Somos uma folha em branco em que Deus escreverá a história de alguém.

Você não precisa de um “Besouro suco” para expulsar o seu passado. Você simplesmente precisa abraçar o que te espera lá na frente. Busque isso, leitor. Deus não está preocupado com o que você fez, mas com o que você é capaz de fazer com seu propósito.

Estamos a uma página de distância daquilo que Deus tem pra nós. Quando abraçamos o nosso propósito, inspiramos as pessoas a também virarem a página. Por isso, não permita que os seus fantasmas se divirtam à custa da sua paz. A vida é bela e se torna melhor ainda quando encontramos uma razão, um propósito, para vivê-la. Descubra o seu e divirta-se!

Matheus Simplicio
Colunista
Email: matheus_simplicio@hotmail.com

Matheus Simplício é líder do ministério F5 Laguna é um apaixonado por livros, histórias e cinema. Escreve sobre cultura pop e assuntos do cotidiano através da visão cristã. Faz parte da membresia da igreja A verdade que liberta, a qual serve e ama.

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