O Grande Encontro com o Leão

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Talvez Lewis nunca tenha escrito um personagem tão desagradável, egoísta e metido a inteligente como Eustáquio.

O rapaz não conseguia entender que poderia existir um outro mundo (Nárnia), e quando entra em uma viagem para este tal mundo, se recusa a confessar o próprio erro.

Na verdade, talvez Lewis nunca tenha escrito um personagem tão parecido conosco.

Quando Eustáquio se vê rodeado de tesouro, ele cai no sono idealizando e imaginando tudo que pode fazer com sua fortuna; e apenas ele estava incluso nesses sonhos.

Mas algo muito, muito estranho acontece: ele acorda como um dragão.

Agora, o bracelete de ouro que antes usava para esbanjar sua fortuna, aperta e machuca seu braço grande e escamoso de dragão. A dor e a confusão se misturam com a realidade de que ele não é mais um menino.

E o egoísmo que o fazia pensar somente no seu próprio bem, para ele, não fazia mais sentido.

Como usufruir de riquezas sendo um dragão? Do que adianta ser inteligente se ninguém poderá entender a fala de um dragão? Ou pior, quem se sentiria seguro em frente a um dragão?

Talvez o mesmo sentimento que trouxe tristeza a Eustáquio seja o mesmo que traga tristeza a você.

As pessoas que você ama não te reconhecem mais: tudo que elas enxergam é a figura de um dragão.

Um dragão que, quando humano, pensava somente em si e para si.

Sabe, dragões são realmente assustadores. Mas existe um ser em Nárnia que é assustadoramente mais poderoso que qualquer dragão.

Aslam, o Leão.

O menino dragão sente muita dor por causa do bracelete, existem muitas escamas que escondem quem ele realmente é, e diante disso, o poderoso Leão se oferece:

“Eu tiro a sua pele”, diz Aslam, o Leão.

A dor e o desespero de Eustáquio não o deixaram amedrontar diante das grandes garras daquele ser tão misericordioso. Então ele se deita como quem aceita o seu destino.

A cada unhada, uma escama saia. Pouco a pouco, Eustáquio foi voltando a ser quem era, mas voltou com a vontade de fazer tudo diferente.

Que sorte do menino encontrar um salvador logo no momento mais doloroso de sua vida. Que sorte seria se encontrássemos Aslam em nosso momento mais triste, não é mesmo?

Aslan, As Crônicas de Nárnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada:

Em seu mundo eu tenho outro nome. Devem aprender a me reconhecer nele. Foi pra isso que foram trazidos para Nárnia. Tendo me conhecido um pouco aqui, podem me reconhecer melhor lá.”

Fonte: www.escritoapena.com

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Matheus Simplicio

Matheus Simplício é líder do ministério F5 Laguna e um apaixonado por livros, histórias e cinema. Escreve sobre cultura pop e assuntos do cotidiano através da visão cristã. Faz parte da membresia da igreja A verdade que liberta, a qual serve e ama.

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