sexta-feira, novembro 16, 2018
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Novos mandados de busca são cumpridos pela Deic

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A Polícia Civil cumpriu novos mandados de busca e apreensão na Câmara de Vereadores de Laguna, ontem de manhã, em continuidade à Operação Seival, deflagrada pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic). A investigação apura corrupção, fraudes em licitações e outros crimes contra a administração pública na cidade.

Dessa vez, a partir de indícios da ocorrência de outros crimes, os alvos foram o presidente da Câmara de Vereadores, Cleosmar Fernandes (MDB), e o vereador Valdomiro Barbosa de Andrade, o Macho, do mesmo partido. Uma das suspeitas é de que eles teriam tentado obstruir a investigação que envolve a organização criminosa desmantelada pela operação. Ambos foram ouvidos na Delegacia Regional de Laguna e permaneceram em silêncio.

Em entrevista por telefone ao DS ontem à tarde, Cleosmar Fernandes se mostrou tranquilo. Ele disse que não tinha muito o que colaborar com a polícia porque não estava a par do assunto. “Agora que estamos tomando conhecimento dessas questões”, afirmou.

Questionado sobre a suspeita de obstrução à investigação, o presidente da Câmara negou qualquer atitude nesse sentido. “O que o delegado alega é que eu teria avisado o vereador Tono sobre a prisão dele. Mas essa é uma suposição deles, de criatividade muito grande, que tenho certeza de que não vai prosperar”, declarou.

Cleosmar Fernandes também relatou que os policiais apreenderam documentos na Casa Legislativa, como diárias dos anos de 2013 e 2014, além do notebook usado por ele na sala da presidência. A reportagem não conseguiu contato com o vereador Valdomiro Barbosa de Andrade.

Durante a primeira ação da Operação Seival, deflagrada em novembro de 2017, cinco pessoas foram presas preventivamente – prisões ainda mantidas pela Justiça, como requerido pelo Ministério Público.

Estão presos, desde novembro, o ex-chefe de gabinete do prefeito de Laguna, Antônio Noel Navarro Monteiro; os ex-secretários municipais de Pesca e Agricultura, Antônio César da Silva Laureano (vereador licenciado, conhecido como Tono Laureano) e Antônio Michel Garboski Laureano (filho de Tono); e os empresários Adílio Hercílio Marcelino e Carlos Eli Martins. Além deles, foram denunciados em dezembro outros 11 agentes públicos e particulares.

DENÚNCIAS JÁ APRESENTADAS

A Operação Seival já resultou em três denúncias criminais, apresentadas ainda em dezembro do ano passado pela 2ª Promotoria de Justiça de Laguna, com o apoio do Grupo Especial Anticorrupção (Geac), do MPSC.

Uma delas aponta a ocorrência dos crimes de peculato e corrupção ativa e passiva pelo desvio de material de obras públicas em proveito dos agentes públicos e particulares. Esta denúncia já foi aceita pela Justiça, o que coloca os denunciados Antônio Noel Navarro Monteiro, Antônio César da Silva Laureano, Amilton Francioni Martins, Adão Gonçalves da Luz, Ricardo Netto Amboni e Luiz Carlos Silva como réus na ação penal.

A outra denúncia, ainda não recebida, em fase de notificação dos envolvidos, trata de fraude em concurso público para o cargo de operador de máquinas da secretaria da Pesca, em benefício de três candidatos apadrinhados por Tono Laureano.

A terceira denúncia apresentada em dezembro também está em fase de notificação e ainda não foi recebida pela Justiça. Ela demonstra que havia uma organização criminosa na cidade de Laguna, formada por empresários e agentes públicos, que atuava na área de licitações para a realização de obras e o fornecimento de materiais para a prefeitura.

DS

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