terça-feira, junho 18, 2019
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Médicos realizam primeiro transporte de rim usando um drone

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Equipamento reduz em mais de 50% o tempo da logística do órgão.

Usar drones para transportar coisas parece algo desnecessário na maior parte das vezes, mas não quando se fala em transporte de órgãos para transplante, exatamente o que acaba de ser testado por médicos nos Estados Unidos. E os resultados alcançados por eles foram bem positivos.

O rim em questão não estava bom o suficiente para ser usado em um transplante, mas as suas condições o tornavam ideal para esse tipo de teste. Ele foi avaliado antes e depois do transporte e os pesquisadores da Universidade do Maryland viram que as condições específicas de transporte e calor não causaram qualquer dano ao órgão.

Liderados pelo cirurgião Joseph Scalea, a equipe modificou um drone DJI M600 para equipá-lo com uma caixa refrigeradora e um sensor biológico capaz de monitorar remotamente as condições do rim durante o voo. Ele fez 14 voos e a distância máxima realizada em um deles foi de 2,4 km, que contempla o espaço entre alguns hospitais na cidade onde aconteceram os testes.

“Você pode mover um órgão do ponto A para o ponto B, reduzindo entre 50% e 70% o tempo do explante até o implante, dependendo da distância e da velocidade”, disse Scalea.

O especialista acredita que, ao reduzir o tempo dos órgãos na viagem, o transporte por drones vai aumentar a qualidade dos transplantes. “Nós acreditamos que isso pode acrescentar milhares de anos de vida ao sistema. Esse é o objetivo”, afirma.

O coordenador de transplante de intestino e multivisceral do Hospital Israelita Albert Einstein, Sérgio Meira, em São Paulo, acredita que os drones têm potencial para ajudar na logística dentro de grandes centros urbanos, como São Paulo.

“Nós estamos no Einstein. Se aparece um doador no Santa Marcelina, na Zona Leste, são duas horas e meia de trânsito na hora do rush”, disse.

O especialista conta que a logística é ponto fundamental nas redes de transplantes porque os órgãos têm um tempo máximo de sobrevida sem circulação de sangue. Em muitos casos, órgãos são perdidos pela impossibilidade de transporte.

“Existe um acordo com a aviação comercial para o transporte de órgãos, mas é preciso casar o horário da retirada do doador com os voos, o que nem sempre é possível, explicou Meira.

Apesar da distância, da velocidade máxima de 67,6 km/h e do motor do drone funcionando próximo ao rim, ele manteve a sua temperatura próxima ao congelamento, com 2,5°C. De forma surpreendente, o órgão sofreu menos vibrações voando de drone do que normalmente acontece em missões de entrega usando um avião pequeno.

Agora, a ideia do grupo é realizar o transporte de um rim para um transplante, algo que deve acontecer em um futuro próximo, provavelmente em 2019.

Fonte: Com informações do TecMundo

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