[Lista] 10 filmes para te ajudar a superar aquele dia difícil

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Preparamos uma lista com clássicos e pérolas para te ajudar a tirar a cabeça dos problemas e avaliar o que é importante na vida.

A vida não tem estado fácil nos últimos anos. Seja por conta da pandemia ou por questões pessoais, todo mundo tem tido desafios cada vez mais difíceis de se lidar, ou situações cada vez mais complexas para enfrentar. Quando a vida fica muito pesada, é sempre bom termos encontrarmos refúgio em uma boa história, algo que nos tire a cabeça dos problemas e ajude a focar – os famosos “comfort movies”, ou “filmes de conforto”, como chamam lá fora.

Pensando nisso, e aproveitando a estreia de “Um Milagre Inesperado” pelo selo Première Telecine no streaming e no Telecine Premium, juntamos uma lista de filmes que oferecem um momento de reflexão, para reorganizarmos os pensamentos e avaliarmos o que é importante na vida. Precisa de um respiro? Então essa lista é para você!

“Jojo Rabbit” (2019)

Ok, talvez pensar em um drama da Segunda Guerra Mundial sobre um garoto que tem Hitler como amigo imaginário possa não parecer assim tão atrativo. Mas se há alguém que consegue transformar até essa premissa em algo cativante, é o diretor Taika Waititi.

O jovem Jojo (Roman Griffin Davis) sempre teve dificuldade em se enturmar com os colegas da Juventude Hitlerista. Em casa, sua mãe (Scarlett Johansson) sempre tentou mantê-lo com os pés no chão, mas o garoto é fã confesso de Hitler, que é até seu melhor amigo imaginário (Waititi). Só que, conforme a guerra lá fora avança, Jojo precisa enfrentar seus medos dentro de casa, quando tudo que ele acreditava é virado de cabeça para baixo ao descobrir que sua mãe acolhe uma órfã judia (Thomasin McKenzie) em casa.

Em tempos tão sombrios como os nossos, “Jojo Rabbit” é um bálsamo de bom humor e otimismo. O dom de Waititi de transformar situações chocantes em algo doce é surpreendente, e rendeu ao filme, inclusive, um Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Ao final, ele nos lembra, através dos inocentes atos juvenis de Jojo, das sábias palavras de Rainer Maria Rilke: “Deixe tudo acontecer com você: beleza e terror. Apenas continue. Nenhum sentimento é definitivo.

“Intocáveis” (2011)

Amizades improváveis são sempre legais de se ver, principalmente se as partes vêm de mundos tão diferentes quanto Driss (Omar Sy) e Philippe (François Cluzet), protagonistas de “Intocáveis“, baseado em história real. O primeiro era uma pessoa que precisava apenas de uma assinatura para comprovar que estava procurando emprego e não perder o seguro do Estado, o segundo buscava alguém que se dispusesse a cuidar dele sem os olhares constantes de pena por ser tetraplégico.

“Intocáveis” é um prazer de se assistir pela honestidade com que lida com seus temas e pela leveza que imprime às aventuras de Driss e Philippe. Muito do que torna o filme um deleite, no entanto, é a atuação de Omar Sy como Driss, que cria um personagem consistente com a realidade das populações marginalizadas da França, mas que olha de frente para todos a seu redor. É com essa tranquilidade que ele transforma a vida de Philippe de um martírio por sua condição física em uma aventura.

“Rocketman” (2019)

Taron Egerton as Elton John in Rocketman from Paramount Pictures.

Ao falar de “Rocketman“, muita gente já pensa de imediato no “filme do Elton John”. Acontece que o longa de Dexter Fletcher estrelado brilhantemente por Taron Egerton é mais que uma simples cinebiografia. Com um recorte claro e bem definido, “Rocketman” trata, assim como a canção que dá nome ao filme, da síndrome de burnout – algo que pode afligir uma pessoa com um trabalho comum tanto quanto um astro do pop.

Ao longo da obra, vemos a transformação do jovem Reggie Dwight, um jovem talentoso podado constantemente por um ambiente hostil, em Elton John, o músico e ícone extravagante que conhecemos e amamos. Como é de se esperar, esse não é um processo fácil, e o protagonista se depara com desafios inesperados, percebendo que há muito mais por trás de seus vícios e problemas do que imaginava.

A trilha sonora, claro, é um show à parte, e rendeu a Elton e seu parceiro de composição Bernie Taupin um Oscar de Melhor Canção Original por (I’m Gonna) Love Me Again. E ainda que Taron Egerton não tenha recebido o devido reconhecimento, sua atuação é tão – se não mais – certeira do que muita cinebiografia musical por aí.

“Extraordinário” (2017)

“Incrível!”

Auggie (Jacob Tremblay) é um garoto especial em todos os sentidos possíveis. Ele nasceu com a Síndrome de Treacher Collins, que acarreta em deformidades na face que tiveram de ser atenuadas em 27 cirurgias. Criança nenhuma merece passar por algo assim, mas Auggie resistiu e superou tudo. O último desafio foi deixar de ser educado em casa e passar a frequentar uma escola normal, com crianças da sua idade. Como era de se esperar, ele acaba sendo vítima de bullying por sua aparência, mas encontra amigos de verdade, também.

A história de Auggie é o clássico conto sobre aceitação das diferenças. Os problemas que ele enfrenta na escola são os mesmos que milhares de crianças também precisam encarar, já que bullying, infelizmente, ainda é algo presente nas escolas. O filme é deixado especialmente tocante pela performance do astro mirim Tremblay como Auggie, sem parecer sentir nada das próteses de maquiagem que teve que usar. Mesmo em um elenco que conta com Julia Roberts e Owen Wilson, o jovem carrega a produção tranquilamente.

“O Impossível” (2012)

O tsunami de 2004 no Oceano Índico foi um dos eventos mais marcantes daquela década. A força avassaladora da natureza matou centenas de milhares e rendeu histórias incríveis de superação entre os sobreviventes. A da médica espanhola María Belón é adaptada em “O Impossível“, filme do diretor J.A. Bayona estrelado por Naomi Watts, Ewan McGregor e um jovem Tom Holland.

A família Bennett vai passar as férias de fim de ano em Khao Lak, província da Tailândia. Após alguns dias de tranquilidade, um tremor no oceano causa a infame onda gigante, que acaba separando os cinco membros da família em meio a esse cenário catastrófico. Vale lembrar que, no agora longínquo 2004, a tecnologia não era onipresente como hoje, e todos precisaram lutar não apenas para sobreviver, mas para garantir que as pessoas queridas também estavam bem.

“Encontros e Desencontros” (2003)

“Quanto mais você souber quem você é e o que você quer, menos você vai deixar as coisas te decepcionarem.”

Existem momentos da vida que costumam trazer desafios especiais. Crescer e envelhecer, principalmente, são etapas importantes, em que a realidade de nossas vidas se altera de forma significativa, e podem deixar muita gente perdida. Em “Encontros e Desencontros“, a cineasta Sofia Coppola coloca dois desconhecidos, Charlotte (Scarlett Johansson) e Bob (Bill Murray), frente à frente em Tóquio. Em uma cidade onde não conseguem entender ninguém, a dupla, que atravessa fases opostas da vida, consegue se entender e encontrar conforto na certeza de que, ainda que não tenham rumo definido, pelo menos contam com o apoio um do outro.

Ainda que muito jovem à época, Coppola fez um filme de gente grande, que explora os dilemas e as dores do crescimento e do envelhecimento em um cenário culturalmente novo para os protagonistas. Além da jornada de autoconhecimento e aceitação de Charlotte e Bob, o longa também impressiona visualmente com cenas que podem não ter diálogo algum, mas que dizem mais do que mil palavras. E, claro, pela curadoria da trilha sonora, marca registrada dos filmes da cineasta, com bandas como The Pretenders e Echo and the Bunnymen.

“O Resgate do Soldado Ryan”

Mas outro drama sobre Segunda Guerra Mundial? Claro, por que não? A temática da guerra costuma ser uma ótima metáfora para a forma como enfrentamos nossos medos e lidamos com adversidades, além de frequentemente representar bem nosso estado de espírito depois de um dia ruim. “O Resgate do Soldado Ryan” é um dos grandes clássicos do gênero, e uma colaboração entre Tom Hanks e Steven Spielberg não tem como dar errado.

A premissa do filme é simples: um grupo de soldados americanos precisa se infiltrar além das linhas inimigas para, bom, resgatar o soldado Ryan (Matt Damon), cujos irmãos foram todos mortos em batalha. Mas o que é simples o suficiente para ser, literalmente, o nome da obra, provavelmente não é tão simples de se fazer, e é essa jornada que vemos ao longo do clássico.

A cena de abertura é um dos melhores retratos da invasão da Normandia que o cinema já produziu, tornando-se como imaginamos a situação real ao pensarmos nela. O filme rendeu a Spielberg um Oscar de Melhor Direção e ao cinegrafista Janusz Kaminski um Oscar de Melhor Fotografia.

“O Que Te Faz Mais Forte” (2017)

A história real de Jeff Bauman é emocionante. Operador de caixa em um bar de Boston, ele juntou dinheiro através de gorjetas para ajudar sua namorada, Erin, em um projeto ousado: correr a maratona da cidade para levantar fundos para o hospital onde ela trabalha. No dia da corrida, Jeff está na linha de chegada para prestigiar Erin quando uma bomba explode. É o atentado à maratona de Boston de 2013, que deixou cicatrizes profundas na cidade – e ainda maiores em Jeff, que perdeu suas duas pernas na explosão.

Em “O Que Te Faz Mais Forte“, Jack Gyllenhaal e Tatiana Maslany dão vida ao casal. Dois dos melhores atores de sua geração, a dupla tem atuações sensíveis e dignas do drama real sofrido por Jack e Erin. O que impressiona é a leveza da direção de David Gordon Green. Conhecido por comandar filmes de terror (como “Halloween“, por exemplo), o cineasta mostra versatilidade e sensibilidade com a história de Jeff Bauman.

“Beleza Oculta” (2016)

“Mesmo enquanto você está aí falando besteira, estou te presenteando. E você está jogando isso fora.”

Além de ser um grande ator, Will Smith tem o dom de escolher histórias que emocionam para seus filmes. Em “Beleza Oculta“, ele interpreta Howard, um publicitário de sucesso em Nova York que desiste de tudo após sofrer uma grande tragédia. Ele se retrai da vida pessoal e profissional, colocando tudo que construiu e conquistou em apuros. Para tentar encontrar algum sentido para as coisas horríveis que acontecem, ele passa a escrever cartas para o Amor, o Tempo e a Morte. Mas o que era para ser apenas um exercício de reflexão logo toma rumos inesperados quando essas entidades respondem.

Abordando temas pesados como luto e perda, o longa também é uma excelente pedida para quem gosta de boas atuações, reunindo no elenco nomes de peso como Kate Winslet, Helen Mirren, Edward Norton, Keira Knightley, Naomie Harris e Michael Peña. Apesar do tom por vezes fantasioso do filme, a história traz lições importantes, não importa o momento da vida em que estamos.

“Gênio Indomável” (1997)

“Você vai ter momentos ruins, mas eles sempre vão te acordar para as coisas boas nas quais você não estava prestando atenção.”

Terapia é uma das melhores alternativas para almas conturbadas. O que muitos não percebem é que, às vezes, terapeutas também são influenciados por seus pacientes. Sean, personagem do saudoso Robin Williams em “Gênio Indomável” é um belíssimo exemplo.

Durante as sessões de Will (Matt Damon), um jovem brilhante, mas confuso, a dupla forma um laço baseado nas experiências complementares que têm. Enquanto Will luta para colocar sua vida em ordem, Sean trava sua própria luta interna para superar a perda da esposa.

Robin Williams é frequentemente lembrado por sua capacidade de nos fazer sorrir, mas aqui, seu talento para papéis dramáticos nos proporciona momentos de reflexão importantes – ainda que nos arranque alguns pequenos sorrisos. O resultado é tão bom que lhe rendeu até um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

cinemacomrapadura

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