Ford anuncia fim da produção de carros no Brasil e fechamento de três fábricas

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Foto: Reprodução internet

Montadora seguirá importando utilitários esportivos, picapes e veículos comerciais de fábricas da Argentina, Uruguai e outras origens, mantendo “assistência total” ao consumidor brasileiro. A Ford está no Brasil desde 1919.

A montadora Ford anunciou nesta segunda-feira (11) que vai encerrar a produção de carros no Brasil neste ano. Serão fechadas as fábricas em Taubaté (SP), que produz motores; Camaçari (BA), onde produz os modelos EcoSport e Ka; e em Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller. A empresa irá manter o centro de desenvolvimento de produtos na Bahia, o campo de testes em Tatuí (SP), e a sede administrativa em São Paulo.

Na América Latina, cerca de 5 mil funcionários serão afetados. Isso sem contar com os funcionários do Brasil, que só Camaçari (BA), serão cerca de 10 mil trabalhadores atingidos. As mudanças na empresa acontecem desde 2019, quando a  montadora norte-americana anunciou o fim da produção na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

Em comunicado à imprensa, a Ford informou que “a pandemia de Covid-19 amplificou a persistente capacidade industrial ociosa e a queda nas vendas, que resultaram em anos de perdas significativas”. Disse também que irá trabalhar em colaboração com os sindicatos e outros parceiros no desenvolvimento de um plano justo e equilibrado para minimizar os impactos do encerramento da produção.”

“Com mais de um século na América do Sul e no Brasil, sabemos que essas são ações difíceis, mas necessárias para criar um negócio saudável e sustentável”, disse Jim Farley, CEO e presidente da Ford.

Veículos virão de Argentina e Uruguai
De acordo com a Ford, a produção será encerrada imediatamente em Camaçari e Taubaté, mantendo-se apenas a fabricação de peças por alguns meses para garantir disponibilidade dos estoques de pós-venda. A fábrica da Troller, em Horizonte, continuará operando até o quarto trimestre de 2021. As vendas do EcoSport e do Ka serão encerradas assim que terminarem os estoques.

A montadora diz que seguirá importando no Brasil utilitários esportivos, picapes, como a Ranger, e veículos comerciais de fábricas da Argentina, Uruguai e outras origens, mantendo “assistência total” ao consumidor brasileiro com operações de vendas, serviços, peças de reposição e garantia. Informou ainda que planeja acelerar o lançamento de diversos novos modelos conectados e eletrificados.

A Ford estima um impacto de US$ 4,1 bilhões em despesas recorrentes com o anúncio, sendo cerca de US$ 2,5 bilhões em 2020 e US$ 1,6 bilhão em 2021. Cerca de US$ 1,6 bilhão está relacionado ao impacto contábil à baixa de créditos fiscais e depreciação acelerada, enquanto os US$ 2,5 bilhões restantes serão diretamente no caixa – rescisões, acordos e outros pagamentos.

100 anos de Brasil
A Ford foi a primeira indústria automobilística a se instalar no Brasil, em 1919. O bairro do Bom Retiro, em São Paulo, foi o primeiro lugar a abrigar uma linha de montagem de veículos em série no país. O edifício, inclusive, era uma cópia da sede da empresa em Detroit (EUA).

No ano passado, a montadora foi a sexta que mais vendeu automóveis, com 119.406 veículos emplacados (entre automóveis e comerciais leves), com 7,14% do total, segundo a Fenabrave. A empresa perdeu espaço nos últimos anos, especialmente para a sul coreana Hyundai, que hoje é a quarta maior montadora do Brasil.

O Ford Ka é o seu modelo mais vendido no Brasil. Ele foi o quinto mais emplacado no país em 2020, com 67.491 vendidos.

*Com informações de Estadão Conteúdo

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