Ex-secretário de SC é alvo da 3ª fase da Operação Alcatraz

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Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão; investigado teria quitado dívidas com pagamento em espécie e cheques de terceiros

O ex-secretário-adjunto de Estado da Administração Nelson Nappi Junior é o principal alvo da 3ª fase da Operação Alcatraz deflagrada na manhã desta quinta-feira (14), em Santa Catarina. Detalhes dessa nova fase, denominada Operação Obstrução, foram revelados em coletiva de imprensa realizada na sede da Polícia Federal, em Florianópolis.

A ação, da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal), busca reprimir organização criminosa envolvida na prática de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Os investigados poderão responder, dentre outros, por crimes previstos na Lei de Lavagem de Dinheiro e na Lei de Organizações Criminosas.

Mandados de busca, apreensão e prisão preventiva

Uma equipe formada por 20 policiais federais cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva, na Capital e em São José. Quatro dos cinco mandados de busca e apreensão estão relacionados ao principal investigado.

Três mandados foram cumpridos em residências e outro no escritório de uma empresa ligada à família de Nappi Junior.

O quinto mandado de busca e apreensão foi cumprido no endereço residencial de outro investigado que não era alvo da operação anteriormente. Foram apreendidos documentos, celulares e equipamentos de informática.

Nappi Junior já havia sido indiciado nas outras fases da Alcatraz e permanecia em prisão domiciliar até esta quinta, quando foi cumprido o mandado de prisão preventiva contra ele. Segundo a PF, a prisão será cumprida em estabelecimento adequado que não foi divulgado.

Compra de carro de luxo e quitação de dívidas

O inquérito policial teve início após a apreensão de bens, documentos e equipamentos eletrônicos na casa de um dos investigados da Operação Hemorragia, segunda fase da Alcatraz deflagrada em janeiro deste ano.

As investigações apontam que, apesar de preso desde a primeira fase da operação, com a ajuda da esposa, Nelson Nappi Junior teria quitado dívidas elevadas com pagamento em espécie e cheques de terceiros – pessoas envolvidas na organização criminosa, políticos e empresários. Um desses cheques foi no valor de R$ 40 mil.

De acordo com a PF, as despesas estão em aberto desde a primeira prisão do investigado ainda em 2019.

Nappi Junior também teria escondido que era proprietário de um carro de luxo o registrando em nome do pai. Conforme a PF, trata-se de um veículo Mini Cooper cuja entrada no valor de R$ 32 mil foi paga em espécie diretamente na loja. Outros R$ 100 mil foram financiados.

Outra dívida de cerca de R$ 15 mil foi quitada com uma instituição de ensino frequentada pelo filho do investigado.

“O investigado continuava persistindo na busca de valores de forma ilícita com pessoas que mantinham contratos com órgãos públicos”, afirmou o delegado de Polícia Federal Rodrigo Silva Muller.

De acordo com o procurador da República Alisson Nelício Campos Cirilo Campos, a esposa do investigado também foi alvo da operação. Isso porque ela teria participado ativamente do esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. Contudo, ela não foi detida.

Atos de constrangimento

A polícia periciou os celulares apreendidos na Operação Hemorragia, nos quais foram encontrados conversas que demonstram que os investigados contavam com o auxílio externo para busca de valores com terceiros para quitação de dívidas. Assim,  praticavam atos de “constrangimento” na tentativa de levantamento de valores.

“Foram localizados diálogos contendo palavras que indicam atos de constrangimento como ‘estou apertando ele’, ‘vou dar um ultimato’. Ou seja, palavras que deixam claro que não se tratava de uma solicitação amistosa”, explicou o delegado da PF Rodrigo Muller.

Operação Alcatraz

A Operação Alcatraz foi deflagrada em maio de 2019. O objetivo é combater fraudes em licitações e desvios de recursos públicos ligados a contratos de prestação de serviços de mão de obra terceirizada, e do ramo de tecnologia, firmados com órgãos do poder executivo estadual em Santa Catarina.

O total de recursos desviados identificados ao longo das três operações não foi divulgado. Contudo, somente um dos contratos fraudulentos firmados com a administração pública tem valor de R$ 500 milhões.

Até o momento, por volta de 100 pessoas já foram investigadas nas três fases da Alcatraz e somente cerca de R$ 40 milhões foram bloqueados, conforme o MPF.

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