Estudantes iniciam processo de adaptação à rotina do Colégio Militar

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“A maior meta é fazer o colégio dar certo. Por que, sabemos, o colégio militar ao contrário das outras instituições de ensino tem expectativa da população muito alta. E quando isso acontece, o nível de tolerância aos nossos erros é muito baixo. Todos os nosso esforços são para fazer esse colégio dar certo e ser referência de excelência na nossa região”, frisa o diretor da unidade, major Peterson do Livramento.

Os primeiros dias do Colégio Militar de Laguna serão de adaptação dos 70 alunos das duas turmas de 6º ano de ensino fundamental à rotina da unidade escolar. A escola é mantida pela Polícia Militar e conserva os conceitos de hierarquia e disciplina tradicionais da corporação.

A recepção aos estudantes foi feita na tarde desta quarta-feira (5), no prédio provisório do colégio, que divide espaço com o polo de ensino à distância da prefeitura de Laguna, no bairro Portinho. O evento foi acompanhado por autoridades civis e militares e pais dos alunos. “Foi um ato simples, mas muito significativo. É o primeiro dia de entrada dos alunos no colégio militar e foi um dia muito esperado por eles”, comenta o major Peterson do Livramento, que assume a função de diretor do colégio de Laguna.

Segundo o oficial, nesta primeira semana serão feitas “atividades de ambientação dos estudantes à rotina militar” e as aulas normais – seguindo a organização curricular estadual – iniciam a partir da próxima semana. As aulas vão acontecer, segundo a direção, no período vespertino.

Uma aula-magna especial está prevista para acontecer no dia 10 de fevereiro, às 19h, no Cine Teatro Mussi. O evento que marcará simbolicamente o início letivo do colégio vai contar com palestra do jornalista e escritor Luiz Carlos Prates, conhecido por ser entusiasta do modelo educacional militar. A cerimônia vai oficializar a assunção de Livramento como diretor da unidade de Laguna – antes, ele era comandante da guarnição policial de Braço do Norte.

Diretor explica valores cobrados

Semanas antes do início do Colégio Militar de Laguna, a unidade recebeu críticas nas redes sociais de pais e responsáveis por alunos selecionados por valores cobrados pela instituição.

“Meu filho foi selecionado, mas não tenho condições de colocar ele. Sei que vai ser uma escola ótima, mas não beneficiou nem [os estudantes] pobres. Os preços são absurdos”, criticou uma mãe. Os valores divulgados giram em torno de R$ 800, para uniforme; R$ 700, com material didático; e a mensalidade de R$ 130.

“Também não tenho grandes condições, porém farei de tudo para dar o melhor à ela [minha filha]. E só acho que são muitas especulações a respeito, o povo nunca está feliz com nada. A questão dos gastos com uniforme, até parece que em escola pública os alunos ganham”, rebateu outra mãe.

Segundo Livramento, os montantes são reais, mas ele explica: “O material didático utilizado pelo colégio militar é utilizado pelas melhores escolas do Estado; os custos com o uniforme incluem três vestimentas diferentes, estando incluso o calçado – agasalho completo com camisa do colégio, uniforme de educação física completo, e farda do colégio completa, incluindo peças de inverno. O colégio militar é gratuito, não existe mensalidade,  o que existe é contribuição de APP, como qualquer escola”.

Alguns pais citaram que desistiram de matricular os alunos na unidade em virtude dos custos. De acordo com o gestor, houve desistências, mas os motivos informados foram a dificuldade de os estudantes se adaptarem à rotina escolar-militar.

Prédio-sede pode ser entregue neste semestre

O colégio de Laguna iniciou em prédio provisório. A sede utilizada é o polo de educação à distância no bairro Portinho, escolhido de última hora, após a possibilidade usar o centro comunitário do Magalhães ter sido descartada. A edificação é municipal e o uso foi autorizado pela prefeitura.

De acordo com Livramento, a expectativa atual mais promissora é que a edificação oficial que vai servir prédio-sede do colégio militar tenha suas obras concluídas ainda no primeiro semestre. A unidade vai funcionar no prédio da escola Jerônimo Coelho, que foi extinta em 2017.

Para acolher os estudantes do colégio, a edificação passa por obras de ampliação, modernização e restauro por ser uma construção histórica – ela foi erguida em 1911. O gestor acrescenta que o projeto será corrigido, para adequar a presença da caixa d’água, à pedido do Iphan.

Metas para o colégio

Questionado pelo Portal sobre as metas à frente da direção do Colégio Militar de Laguna, o major foi direto e respondeu que o maior desafio é fazer com que a unidade seja um sucesso educacional.

“A maior meta é fazer o colégio dar certo. Por que, sabemos, o colégio militar ao contrário das outras instituições de ensino tem expectativa da população muito alta. E quando isso acontece, o nível de tolerância aos nossos erros é muito baixo. Todos os nosso esforços são para fazer esse colégio dar certo e ser referência de excelência na nossa região”, frisa.

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