Caso Mariana: Leonardo é condenado a 20 anos de prisão

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Depois de mais de 13 horas de sessão, o júri condenou Leonardo Matheus Rocha, 23 anos, pela morte de Mariana Matei, de 15 anos, em 2015. O Tribunal do Júri ocorreu ontem no Fórum de Tubarão. Leonardo, que está preso desde o ano do assassinato, foi condenado a 20 anos e oito meses por homicídio triplamente qualificado.

A sessão ficou movimentada durante todo o dia. Familiares e amigos de Mariana sentaram nas primeiras cadeiras do tribunal. Eles estavam com camisetas estampadas com o rosto da jovem e pediam por justiça. Além disso, estudantes de Direito, advogados e comunidade em geral lotaram o espaço.

O julgamento iniciou às 9h. Foram ouvidos o delegado responsável pelo caso, Rubem Teston, uma amiga da vítima, promotoria, advogado de defesa e o próprio Leonardo. A sessão foi até as 22 horas, quando a sentença foi lida pelo juiz Guilherme Mattei Borsoi, após decisão apontada pelo júri popular, composto por sete pessoas da sociedade.

Para a mãe de Mariana, Maria Aparecida Matei, a sentença mostra que a justiça foi feita. “Nossa filha não volta mais. Isso é fato. Porém, pelo menos, sabemos que ele (Leonardo) não ficará impune. Foi doloroso reviver tudo. Mas saímos daqui com o sentimento de que a justiça aconteceu”, fala a mãe da jovem.

O corpo de Mariana foi encontrado no dia 30 de janeiro de 2015 em um matagal no bairro Congonhas. Mariana teve traumatismo craniano. Leonardo foi preso cinco dias após o crime, em um hotel em Lages, na Serra Catarinense. Quando confessou a autoria, o acusado disse que Mariana o pressionou para que deixasse a namorada para ficar com ela.

Leonardo Rocha demonstrou poucas reações

De terno escuro, cabisbaixo, acompanhado do seu advogado de defesa, Leonardo pouco demonstrava reação durante o julgamento. Sem olhar para o júri, tampouco para as pessoas que estavam acompanhando a sessão, o jovem, com aparência bem diferente daquele garoto vaidoso e sorridente das fotos publicadas em redes sociais antes do assassinato, parecia estar conformado com a situação.

Durante a fala da promotoria, responsável pela acusação, Leonardo se manteve igual. No momento em que a acusação pediu pela condenação máxima do acusado, ele não demonstrou nenhuma reação: sempre com a cabeça encurvada e olhar para baixo. Na plateia, a mãe e familiares do jovem também acompanhavam a sessão.

Conforme a mãe de Mariana, um dos momentos em que viu uma reação de Leonardo foi durante o depoimento dele. “Ele chorou e leu a carta que escreveu para mim pedindo perdão. Foi este único momento”, diz Maria Aparecida. A mãe da jovem conta que recebeu, meses antes do júri, uma carta (lida no julgamento) escrita por Leonardo a próprio punho. “Na carta, ele pediu perdão, contou como tudo aconteceu e alegou que minha filha queria ficar com ele. Através do psicólogo, mandei recado a ele e disse que o perdoava”, conta Maria Aparecida.

Mãe de Mariana diz que perdoa jovem

“Eu consigo perdoar”, disse. Vestida com uma camiseta onde estava estampado o rosto da filha, ao lado do pai da jovem, Maria diz que esperava apenas por justiça. “O que ele fez não foi certo. Mas eu não posso não perdoar. Sou de Deus e de coração libero esse perdão. Mas não abro mão de que a justiça seja feita. Ele vai ter que pagar. A Mariana não volta mais. É triste isso. Mas ele ficará com isso para sempre na vida dele”, diz a mãe.

Crime teve repercussão pela brutalidade

Foto: Divulgação

O crime que ceifou a vida de Mariana Matei aconteceu no dia 30 de janeiro de 2015. Leonardo foi preso alguns dias depois, em Lages. Ele tentava fugir para fora do país. Ele confessou o crime e, para polícia, disse que teria se “exaltado” durante uma discussão calorosa entre os dois no dia do homicídio.

Ainda conforme Leonardo, Mariana teria ameaçado o rapaz com uma pedra. Leonardo teria usado a mesma pedra para agredir a garota. Ao ser preso, ele foi levado até o local onde o corpo foi encontrado. Ali, disse aos investigadores que se lembrava de ter estado lá, mas que recordava apenas de fragmentos daquela noite. Ele ainda afirmou que acordou na madrugada do crime em casa, com manchas de sangue no corpo e na roupa.

Com informações do Jornal Diário do Sul

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