Bom Senso: Nos Sobra ou Nos Falta?

7116

Se existe algo que Paulo sempre ensinou aos jovens e, principalmente aos seus discípulos, Timóteo e Tito, foi o exemplo. Eles “deveriam ser um exemplo para os fiéis”, não só em suas crenças, mas em suas posturas (Tito 2:7). E o que uma pessoa precisa para ser um exemplo, uma inspiração, talvez, para o seu próximo? Paulo responde à Tito: bom senso (Tito 2:6).

Esse, o bom senso, seria o responsável por nos guiar em escolhas certas, nos ajudando a firmar um fiel compromisso com a verdade de quem proclamamos ser. É o bom senso que faz as pessoas enxergarem o quanto somos exemplos a serem seguidos, ou então, o quanto as nossas atitudes são submissas a ética cristã que carregamos.

Ou seja, para ser um exemplo, é preciso ter uma certa bagagem intelectual, além do bom senso, ou um mínimo de noção de quem se é (ou de quem representa). Bom senso e conteúdo são a chave para uma vida exemplar. Mas nunca pense em separá-las, pode soar ridículo.

Imagine que você é a pessoas mais bem informada e estudada sobre Fernando Pessoa. Você conhece todos os seus heterônimos, poemas e obras em geral. Quando alguém quer saber sobre o escritor, você é a primeira pessoa que vem na mente! Agora, me diga: do que adiantaria você ter todo o conteúdo sobre Fernando Pessoa, se você o recita no meio de um acidente de trânsito? Estranho, não? O conteúdo é necessário, mas somente o bom senso pode trazer significado à esse.

Jonas, o Profeta que Fugiu

O exemplo (do que não fazer) mais claro que temos no antigo testamento, de alguém que têm o conteúdo, mas não o bom senso, é Jonas. O profeta foi escolhido por Deus para pregar em Nínive, uma cidade completamente perdida no pecado, mas escolheu fugir para a direção contrária, Társis.

Ao entrar no Barco, Jonas vai até o convés e dorme. Timothy Keller diz que o sono em que Jonas se afunda, é o sono da fuga: aquele que entramos para esquecer nossos problemas, dores e frustrações. É o sono que nos livra, alguns instante, de nossas agonias.

Mas o sono não resolve tudo. Deus empresta sua revolta ao mar, causando um perturbador desconforto à tripulação. E os marinheiros, adoradores de deuses pagãos, homens de folclores, oram aos seus deuses, pedindo clemência, misericórdia. Enquanto jonas, o alvo da fúria, não ora ao seu Deus.

Naquele barco, o profeta era o único devoto ao Deus da criação, o Deus verdadeiro, e ainda assim, ele estava fugindo, se escondendo. Sejamos honestos: quem, usando o bom senso, se sujeitaria, ou então, se converteria ao Deus de um homem que foge, que se esconde de suas responsabilidades?

Jonas tinha todo o conteúdo necessário para apresentar aos marinheiros, o verdadeiro Deus. Mas a sua falta de bom senso, fez com que o seu Deus se tornasse um ser a quem não adiantasse orar, afinal, se adiantasse, ele não estaria fugindo, mas orando.

O Nosso “Monstro Marinho”

O “profeta fujão” perdeu a melhor oportunidade de provar o poder do seu Deus através do arrependimento. Ele precisou ser expulso do barco e engolido por um monstro marinho (um peixe bem grande) para pensar e refletir sobre a sua falta de bom senso.

Sabendo de tudo o que aconteceu com Jonas, podemos nos aprofundar no pensamento: precisamos chegar ao ponto de ser engolido por monstros marinhos, ou qualquer outro tipo de monstro que venha nos cobrar uma atitude mal pensada?

A desobediência, o mar revolto e monstros marinhos, podem ser evitados se formos prudentes, se pensarmos com bom senso. Muita coisa de ruim em nossa vida poderia ser evitada se nosso principal desejo fosse ser um exemplo.

A vida se faz um barco, as pessoas se fazem marinheiros, e nós nos fazemos profetas. Iremos dormir, largando a responsabilidade de sermos “exemplos para os fiéis” usando o bom senso, ou enfrentaremos nossos desafios?

Todos estamos no mesmo barco, e o monstro marinho está à espera do primeiro a ser expulso por falta de bom senso.

avatar

Matheus Simplicio

Matheus Simplício é líder do ministério F5 Laguna e um apaixonado por livros, histórias e cinema. Escreve sobre cultura pop e assuntos do cotidiano através da visão cristã. Faz parte da membresia da igreja A verdade que liberta, a qual serve e ama.

Comments

comments