segunda-feira, fevereiro 18, 2019
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A tragédia de Brumadinho, do Flamengo e a tragédia de todos nós

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Foto: AFP

Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” Mt 24.35

Talvez não tenhamos a dimensão do alcance e profundidade das palavras de Jesus. Mas em momentos como esses, onde o mundo presencia uma nação sendo arrasada em tão pouco tempo pela lama na cidade de Brumadinho, e pelo incêndio no CT do Flamengo, todos nós enfrentamos o desafio, ainda que não queiramos encará-lo de frente, da brevidade e fragilidade da vida humana.

Uma palavra tem sido manchete nos jornais: tragédia. Qual seu real significado?

Segundo a Wikipédia , Tragédia (do grego antigo τραγῳδία, composto de τράγ ος “bode” e ᾠδή “canto”) é uma forma de drama, que se caracteriza pela sua seriedade e dignidade, frequentemente envolvendo um conflito entre uma personagem e algum poder de instância maior, como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade.

Suas origens são obscuras, mas é certamente derivada da rica poética e tradição religiosa da Grécia Antiga. Suas raízes podem ser rastreadas mais especificamente nos ditirambos, os cantos e danças em honra ao deus grego Dionísio (conhecido entre os romanos como Baco). Dizia-se que estas apresentações etilizadas e extáticas foram criadas pelos sátiros, seres meio bodes que cercavam Dionísio em suas orgias, e as palavras gregas τράγος, tragos, (bode) e ᾠδή, odé, (canto) foram combinadas na palavra tragoidia (algo como “canções dos bodes”), da qual a palavra tragédia é derivada.

Ou seja, ela faz menção ao velho dilema da incapacidade humana de lidar com forças alheias à sua vontade e que tem profunda atuação em sua existência. Como tratar com o que não podemos controlar? Como viver quando aquilo aparentemente inabalável desfaz-se aos nossos pés?

Com o progresso da ciência e do conhecimento, a humanidade tem progredido no conhecimento das forças que regem a natureza. Temos sistemas de alerta contra tsunamis, sensores que detectam o movimento das placas tectônicas e a erupção de vulcões. Olhamos para o céu e procuramos asteroides que possam eventualmente estar em rota de colisão com a Terra. Porém, os fatos mostram que por melhor que estejamos preparados, sempre existirá algo além do alcance de toda ciência criada nos últimos anos.

Do mesmo modo, em um nível menor, temos as mesmas dificuldades com o novo, a mudança. Aliás, quem já mudou pelo menos uma vez de endereço sabe como isso é complicado. Achamos em nossos armários coisas há muito guardadas que nem sabíamos mais existir sobre a Terra. Exageros à parte, toda mudança gera um desconforto e nem sempre estamos dispostos a lidar com isso. Por mais que nos esforcemos, temos a tendência (uns em maior grau que outros) de entrar em uma zona de conforto, de adaptar-se ao cenário e ali estabelecermos nossos fundamentos. Para uma mudança, ainda que planejada, é necessário um esforço extra de nossa parte. Se isso já é complicado, equacionar o imprevisto requer de nós a habilidade de lidar com a insegurança e o medo da nova situação.

Mais ainda, ao encarar os reveses da vida…

Interessante pensar que Jesus diz que “…os céus e a terra passarão…”. Veja que são elementos comuns a todos e presentes no nosso cotidiano. Pisamos sobre uma terra que cremos ser estável e sabemos do ar que existe à nossa volta. Mas Jesus nos chama a atenção de que estes elementos, ainda que pareçam sólidos e constantes, um dia hão de passar. No caso de Brumadinho, o que parecia ser mais um dia comum de trabalho terminou no maior desastre ambiental do Brasil. O que seria mais um dia de treino, com jovens aspirando prosseguir a carreira profissional no futebol, um incêndio tragou as vidas de jovens jogadores.

O ordinário sendo varrido pelo imprevisto.

Por isso, é preciso encarar o fato de que apenas em um lugar podemos encontrar segurança: em Deus e em Sua Palavra. Diante de um mundo em mutação, de uma sociedade com valores tão efêmeros, de pessoas que hoje estão e amanhã podem não estar mais, no que confiar?

Onde podemos fundamentar a nossa existência?

Preste atenção ao alerta de Jesus. As coisas que aparentemente são estáveis, eternas…podem não ser. Não devemos colocar nossa confiança em posses, saúde, em outras pessoas… só ha um lugar onde verdadeiramente podemos depositar a nossa vida – na Palavra de Deus.

Quero finalizar com um brilhante enunciado de Charles H. Spurgeon :

“Se não podemos crer em Deus quando as circunstâncias parecem ser contra nós, nós não cremos nEle em absoluto” NEle, orando pelos atingidos pelas tragédias da vida,

Daniel

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Daniel De Luca

Daniel De Luca é farmacêutico por vocação. Nas horas vagas fala sobre teologia no canal “Quinze de Teologia” (YouTube). Apaixonado por Star Wars, autor do livro “De Hoje em Diante” (disponível no site da Amazon), define a si mesmo como “simplesmente cristão”.

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